Sempre achei muito interessante a interação entre pessoas desconhecidas, cujo único elo de ligação é o fato de estarem num ambiente em comum… tipo, sala de esperas, ônibus, metrôs, e salas de aula de auto-escola.
É nesse último que tenho passado meus últimos dias…
Se algum de vocês perguntarem por mim lá na auto-escola é bem possível que nem saibam quem sou eu, apesar das minhas visitas diárias aquele local, e se alguém lembrar de mim, com toda certeza serei descrita como uma ‘garota quietinha’… É engraçado isso, porque eu sei que não sou assim. Mas lá eu sou.
Voltando ao assunto que me moveu a escrever esse post, apesar de não falar muito durante as aulas, eu observo bastante o andamento e a interação das pessoas lá [acho que é esse o motivo do meu silêncio, pois gosto de me ver como uma espectadora da aula, e não participante dela, tanto que às vezes chego a pensar que sou invisível..rsrs].
O professor lê o livrinho lá, e explica pausadamente. É comum ele ficar alguns segundos em silêncio, como se estivesse pensando sériamente a respeito do tema, mas aí alguém fala alguma coisa e ele continua como se só esperasse uma reação para intimá-lo continuar. Já acostumei com ele.
Como já era para eu ter terminado essas aulas teóricas, as pessoas que começaram comigo já estão fazendo aulas práticas, sendo assim sempre chega gente nova, e é muito engraçado vê-las confusas com a atitude ‘lesada’ do professor, que de vez enquando deixa todo mundo contando caso sobre acidentes de trânsito e etc. E não há um sequer que não fique sem contar sua tragédia, ou melhor, eu fico.
É curioso como eles sentem ‘prazer’ ao descrever as cenas dos acidentes, as histórias pouco a pouco vão piorando, e quando percebo me sinto dentro de uma competição do tipo ‘quem conta o pior caso’. Eu já escolhi um vencedor: “o cara vinha de moto ‘voado’ em uma rodovia, e quando ele tenta ultrapassar a carreta, o vácuo que segue a carreta puxa ele pra debaixo dela, e o motoqueiro foi retirado à pá do asfalto!!”
Eu nunca sei como agir quando estou com pessoas que só terei que me relacionar por um tempinho. Não sei se isso é uma atitude feia, ou egoísta, mas não pretendo fazer amigos lá, então não sei mesmo como agir. Às vezes eu sorrio, para tentar interagir um pouco, mas aí geralmente alguém solta uma pergunta que tem final ‘né?’, e só me resta concordar para não alongar o assunto.
É tipo quando alguém liga para sua casa e depois de perceber que a pessoa que ela quer falar não está, tenta ser simpática com você e diz algo como ‘é a fulana né?’, mesmo não sendo eu respondo: ’sim!!’… que diferença fará? Não gosto de alongar conversas com desconhecidos.
Acho que é por isso que não gosto muito de ir à padaria, mesmo quando estou de TPM e meus hormônios clamam por endorfina!
É gente, acabo de me descobrir uma sociopatia minha. Peraí que vou ali tomar uns comprimidos.
PS.: Sim, estou de TPM. NÃO sou EMO!